quarta-feira, 20 de abril de 2011

Tia Judith

Esta foto torta ai é do casamento de Tia Judith Paca com Miguel Bento. Tia Judith tá viva e mora nos Poços, na Serra de Teixeira, lugar da familia de minha  Mãe Ceição. Acho que as terras daquele lugar pertenceram aos Dantas, de João Dantas, jornalista cujo escritorio na cidade da Parahyba foi invadido em 1930 pelos "zomi" de Zé Americo e João Pessoa e depois deu no que deu. Inda tem Dantas na serra.

No meu tempo criança não merecia nenhuma consideração. Não era nem "criança". Era minino. E quando se metia nas conversas de gente grande se dizia "inxirido". Eu era. Muito.

Tive meus motivos de orgulho quando minina. Um deles era conhecer e ser conhecida por pessoas que eu achava muito importantes. Por exemplo, Bacalhau ou Afonso Bacalhau que tocava na Bande de Musica da cidade. Quando Bacalhau passava na Banda e me piscava o olho eu, certamente, "me achava" . Ele gostava muito da gente ( era casado com uma prima de minha mãe) e a amizade durou até ele morrer. Recentemente.
Outra figura importante era Doca, o marido de Tia Maria Paca. Ou Maria de Doca. Ele trabalhava com "delivery" de água. Vendia água numa carroça. E vinha lá em cima , sentado , parecia um principe. Tão poderoso. Tinha também Piribiu, aparentado, amigo da familia e que vendia leite num burro tão alto. Zé da Agua não tinha carroça . Era um jumento com dois "barris" de água. Naquele tempo no sertão se vendia água doce ( prá beber) e a água de consumo ( banho, roupas e limpeza da casa). Seria água barrenta?

Mas a "glória" a alegria grande era ir ao mercado. Quando vinha do Rio e São Paulo onde morava, prá rever a familia no sertão , o mercado era lugar obrigatorio. Ali estava a maior concentração de parentes da cidade. Divertidos, amorosos, e "importantes". Tia Judith e Miguel Bento vendiam cereais. Ficavam os sacos espalhados (organizadamente) pelo chão e eles ora em pé, ora sentados num tamborete. Tia Judith fazia contas de cabeça. As Pacas são demais. Tambem tiveram uma bodega mas eu não me lembro.

Tio Miguel Paca era sapateiro e tinha uma barraca do lado dos "meninos de Maria de Tio Mateuzinho". Tinha a barraca das meninas de Tia Lourdes prima de minha mãe e que era de sobrenome Giróime. Vendiam variedades de coisas tipo bazar. Bastião Paca vendia redes e depois objetos de couro: selas, arreios, paramentos de vaqueiros e mil outras coisas. O cheiro da barraca de Sebastião não dá prá esquecer.

Seu Zé Mariano, vizinho da Rua do Dezoito vendia jóias e óculos. Uma vez fui com Amundsen Limeira, jornalista com quem varei muitas estradas, ao mercado e fizemos uma visita obrigatória a Zé Mariano. Amundsen se engraçou com uns óculos escuros que lembravam os de John Lennon e ficou só experimentando e se achando bonito. Zé Mariano me chamou num canto, pegou no meu braço e preocupado, sussurou no meu ouvido: " mas este daí é baitola?" minina . Inda tou rindo. E gostando do "minina".

O mercado, ai meu Deus!! Tinha o café de Dona Antonia, mãe de minha amiga, colega da Radio Espinharas, minha irmã adorada Maria Lucena. Tudo era bom lá em Dona Antonia. Principalmente o chamego que ela tinha comigo. E tem. Tá com muitos anos de vida. Quantos , Cena? Vamos tomar um café lá em sua mãe querida!!!!

Outra visita obrigatoria, esta já depois de grande e radialista ( comecei na Radio com 13 anos!!) era a lojinha de meu padrin e minha madrinha: Batista Leitão e Francisca. Vendiam enxovais de casamento e batismo, roupas intimas, a maior chiqueza. Batista anunciava num programa que tinha na rádio. O produto que eu gostava mais era "touca  prá minino de duas cabeças" - sutiã e corpete . Eram meus padrinhos de mentira e eu os adorava. Afilhadice da maior seriedade.

Eu era feliz e sabia.

2 comentários:

  1. Eu lembro até hoje da barraca de Bastião. Adorava ir pra lá ajudar a vender (pelo menos ele me deixava fingir que ajudava). Sempre me perdia pra chegar na barraca dele, mas sempre me achava no final.

    ResponderExcluir
  2. Eu também andei muito no mercado de Patos e ainda faço isto quando vou no São João. A barraca de Batista Leitão...no meu tempo era numa das esquinas do mercado...também era para mim referência, afinal...Bom dia filha de Luiz Gonzaga. O cheiro de couro também vive no meu nariz ou juízo...não existe realmente um cheiro como aquele nos dias de hoje...Jr. e painho tinham um exemplar de chapéu de couro para as viagens a Santana dos Garrotes...depois de suado, Deus nos acuda.
    Beijos
    Liana

    ResponderExcluir