quinta-feira, 14 de abril de 2011

"AGREGADOS"

"Agregados" das familias antigamente faziam parte delas;só mais velha é que me toquei que Sebastião Paca era como um tio, primo , irmão mais velho que Pai Pedro tinha incluído na familia. Tia Lourdes tava lá, em nossa  casa,  desde que eu nasci. 

Quando eu adoecia ( e entrava na raia de meu pai que ocupava o lugar do "doente") de pereba, doença dos zóio ( não existia conjuntivite), gripe ou fome era Tia Lourdes que cuidava de mim. Às vezes me levava pro Logradouro, o sitio de Pedro Paca. É que, quando meu ainda não avô foi falar com meu bisa que tava interessado na menina Conceição minha futura avó, Padrinho Felix ou Padin Véio disse que não dava mão de filha prá homem sem raizes, solto no oco do mundo. 

Pedro Paca vendeu sua tropa de burros em que carregava café de Pernambuco prá Parahyba e comprou um sitio na Quixaba Velha onde nasceram quase ( ?) todos os filhos. Depois comprou o Logradouro- na minha infância, um paraíso com um riacho, piabas e melancias. Nem notava que a casa era de taipa e que o "sítio" era um sitiozinho pequenino. Mas tinha um riacho!! Maior riqueza, haveria? Era meu refugio de tratamento. Meu lugar de felicidade. 

Tinha brinquedo de sobra dando sopa: os ossinhos com os quais a gente fazia um rebanho de gado, castanhas de caju prá assar no terreiro, o próprio terreiro, lugar mágico, cheio de possibilidades. O céu com tanta estrela, os vaga lumes e um avô que, na segunda feira ia pros Patos e voltava com o burro cheio de agrados. O maior deles era biscoito desses de a gente molhar no café com leite. Molhar o biscoito era só isto. 

E éramos infinitamente ricos. A alegria quando o cardeiro do lado da casa botava um fruto escandalosa e indecentemente vermelho. E quando chovia?! O cheiro de terra molhada. E a imagem definitivamente registrada na memoria afetiva: Dorly, o vira lata da casa. Simplesmente um vira lata. Prototipo dos vira latas que amo até hoje e que protagonisou ( ele , Dorly) uma das historias mais emocionante da historia da familia. 

Que eu conto depois.

2 comentários:

  1. Acho que toda criança que passa infância no sítio do avô passa pelas mesmas coisas. Brincar no terreiro, ir buscar água. Mas adorava também quando meu avô ia pra "rua" no sábado e trazia pão doce e balinhas pra netaiada toda.

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  2. Oi querida: que bom que tivemos experiencias parecidas. E boas. E avós de dar gosto se lembrar. Ir prá "rua"!!! isso mesmo Karlinha.

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