Graunando
Historias. Da familia e dos que cruzaram comigo na estrada. Não acho que sou tão interessante. Mas com quanta gente inesquecivel tenho cruzado. Em homenagem a estes é que quero ecrever.
sábado, 13 de fevereiro de 2016
terça-feira, 16 de setembro de 2014
domingo, 8 de maio de 2011
De dentro do convento......
Poucos amigos podem me imaginar passando um dia inteiro dentro de uma casa de freiras; não exatamente um convento mas um espaço em que vivem as irmãs da Ordem Franciscana Menor que, na terceira idade, estão com problemas de saúde e dependentes dos cuidados de outras pessoas. Uma casa tranquila, silenciosa mas não exatamente triste.
Pois foi numa casa assim, na Av. João de Barros, Recife, que passei parte do finalzão de semana santa.
Nada de retiro espiritual planejado. Acabou sendo um pouco isto e também uma entrada num mundo em que a gente evita pensar demais. O mundo da velhice e da vizinhança da morte. Da solidão. E da serenidade, no caso.
Pois minha Tia Maria de uma hora pra outra ( mas não tanto), resolveu mudar de vida. Através de contatos feitos pelo Padre Sitonio, pároco da cidade, foi prá Timbauba, Pernambuco para um convento de franciscanas de origem alemã. Lá estudou, virou Irmã do Rosário,professora , diretora do Colégio Santa Maria e depois do Stella Maris em Triunfo , também em Pernambuco. Quando aos 10 anos e meio fui estudar no Santa Maria, ela foi minha professora de Português, Geografia e Historia. E minha implacável tutora.
Pois foi numa casa assim, na Av. João de Barros, Recife, que passei parte do finalzão de semana santa.
Nada de retiro espiritual planejado. Acabou sendo um pouco isto e também uma entrada num mundo em que a gente evita pensar demais. O mundo da velhice e da vizinhança da morte. Da solidão. E da serenidade, no caso.
Lá é que vive minha Tia Maria Torres, irmã de meu pai. Filha de Henrique Morais e Zabé Torres.
Tia Maria, bem novinha, ficou noiva do farrista e encrenqueiro que era meu Tio Inacio Paca, irmão de minha mãe. Meu tio vaqueiro, herói de minha infância, unico da familia que tinha os paramentos completos de vaqueiro. Usava-os e acredito que foi um bom vaqueiro. Na foto aqui, estamos sentados na varanda da ultima casa onde viveu e onde conversávamos até cansar. Um dos lugares onde vivi momentos de calma e intensa felicidade. Junto com ele.
Pois minha Tia Maria de uma hora pra outra ( mas não tanto), resolveu mudar de vida. Através de contatos feitos pelo Padre Sitonio, pároco da cidade, foi prá Timbauba, Pernambuco para um convento de franciscanas de origem alemã. Lá estudou, virou Irmã do Rosário,professora , diretora do Colégio Santa Maria e depois do Stella Maris em Triunfo , também em Pernambuco. Quando aos 10 anos e meio fui estudar no Santa Maria, ela foi minha professora de Português, Geografia e Historia. E minha implacável tutora. O destino de Tio Inacio é que aparentemente não se complicou. Não sei como reagiu de imediato à escolha de Tia Maria. O resultado é que se casou com Tia Das Dores, irmã da futura freira. Estava escrito que seus filhos seriam nossos primos irmãos. Na foto aí Tia das Dores aparece, por impericia ou limitações de equipamento da fotografa ( acho que mais por impericia), na janela como uma sombra. Embora fosse, como em toda a familia, a figura forte da parelha, era assim que se deixava confundir: com uma sombra. Na maturidade, Tio Inacio não se preocupava em lembrar de nada. Tinha a memoria acessória de Tia Das Dores. No meio de uma historia, gritava: " Dasdores!!!! Em que ano nasceu Carmem Yolanda ( a unica filha fêmea do casal)?????" Ou convocava: " Dasdooooooores! Como era o nome do filho de compadre Fulano de Tal? ". A Tia prontamente aparecia com a resposta na ponta da lingua.
Tia das Dores já se foi. Tia Maria está indo aos poucos, com muita leveza. Morri de vontade de perguntar-lhe sobre o "noivado" mas não tive coragem. E nunca perguntei à herdeira de noivo. Sei que as duas sempre se deram bem. Tia Maria sempre trazia presentes do convento pra boa parte da familia inclusive para a que quase foi a familia dela. Essas substituições no segundo tempo não eram incomuns àquela época. Sei de muitos casos de irmãs que assumiam marido e filhos das que morriam . Principalmente por problemas no parto.
Tia Maria está numa cadeira de rodas, caladinha e aparentemente muito distante. Neste dia que passei com ela fiquei a lhe contar historias da familia, lembrar o nome dos irmãos e sobrinhos e dizer-lhe segredinhos que nunca tive oportunidade. De vez em quando seu olhar deslisava de lá das longitudes e se encontrava com o meu como se tivesse "chegado". Como se a lembrança a tivesse fisgado. Outras vezes deixava escapar um sorriso tímido e cumplice.
Em algum momento lhe perguntei se lembrava quem , na familia, tinha o apelido de Mê-a-má. Ela me olhou dauqele jeito quase infantil, quase malicioso e falou suave: " era eu!!!". Naquele momento, as duas Marias, a freira e a outra, se encontraram numa. Foi mágico. E suficiente.
Em algum momento lhe perguntei se lembrava quem , na familia, tinha o apelido de Mê-a-má. Ela me olhou dauqele jeito quase infantil, quase malicioso e falou suave: " era eu!!!". Naquele momento, as duas Marias, a freira e a outra, se encontraram numa. Foi mágico. E suficiente.
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quarta-feira, 27 de abril de 2011
Pininha
Na galeria de personagens da minha vida ela é uma das pessoas mais importantes. Vão entender.
Se chamava Severina Felix, filha de Padrin Véi e Madrinha Véia e irmã de minha avó Mãe Ceição. Era moça velha. Ficou no caritó. Herdou de meus bisavós uma casa alí perto da Rua da Pedra - casa com um alpendrizinho, um pé de bem-me-quer mal-me-quer . Um lugar que a gente gostava de visitar. Era mais "alinhado". E tinha uns agrados.
Pininha tinha alguma fonte de rendas, casa própria e morava sozinha. Poooode? Em 1950 e lá vai pedrada. Ás vezes vendia objetos de ouro, algum tipo de sociedade com Zé Pinho outra personagem da Rua dos Dezoito. E gostava de viajar. De caminhão. Na bulé ( boléia para os mais classicos). Ia prá Teixeira onde passava tempo, lá nos Poços aquelas terras que acho que foram dos Dantas, na Guarita, suvaco de serra, o lugar onde se escondia todo mundo que fazia alguma besteira na família: desde roubar uma moça até "dá uns furinhos num cabra". Ia também ( esta era a grande travessia!) a Campina Grande visitar primas e outros parentes. Subir a Serra da Borborema pro lado que fosse era viajão: prá Teixeira ou prá Campina. Essa, a grande viagem. João Pessoa não estava em cogitação. Era aventura em cinemascope colorido.
Pois Pininha me queria muito bem. Me achava inteligente . Tinham a mania de. Eu acho que era porque eu era conversadeira e inxirida. A melhor recordação que guardo dela era quando eu adoecia ( tinha amigdalites tratadas com Rodicilina injetavel) Pininha comprava guaraná e bolacha Maria. Todo minino pobre do sertão viveu esta experiencia. Se teve quem comprasse. Eu tinha Pininha. E adoecer, quando ela não estava viajando, era a glória, a felicidade.
Pininha era "a coragem de ser diferente"; moça velha sem viver agarrada com um Adoremus e rezando pelos cantos de paredes e igrejas. Tinha brilho próprio. Falava naquele tom mais "grave" e meio assustado que é próprio dos da Serra. Falam como se estivessem conspirando. Pronunciava o "errrrrre" como perfeita espanhola ; isto tambem tipico da Serra. Como muitos termos de um "portugues medieval" ou um castelhano aportuguesado.
Tinha suas manias. Interessantes. Sua casa era toda pintada em azul. Tamboretes , armarios e outros itens da decoração. Panelas azúis e se não me engano, o urinol ou pinico também.
Pintava o cabelo sempre. Com umas tintas......
Mais velha ( 40 anos por certo) começou a perder cabelos e passou a usar peruca: a primeira que conheci e que acabei herdando. Perdi-a num carnaval, numa cachaça mal tomada. Acho que lá no Bar de Berta em João Pessoa. Além da peruca usava ouro na quantidade que podia. Herdei-lhe também uma medalha de folha de ouro que já passei prá Karlinha-minha-sobrinha.
Herdei-lhe acima de tudo o espirito um tanto aventureiro, a vocação e coragem prá viajar e fazer minha própria historia . Não herdei o hábito da peruca e há algum tempo "deserdei" o de pintar os cabelos. Tenho a lhe acima de tudo o estímulo que me deu com sua bondosa admiração. Com sua aposta em mim.
Se chamava Severina Felix, filha de Padrin Véi e Madrinha Véia e irmã de minha avó Mãe Ceição. Era moça velha. Ficou no caritó. Herdou de meus bisavós uma casa alí perto da Rua da Pedra - casa com um alpendrizinho, um pé de bem-me-quer mal-me-quer . Um lugar que a gente gostava de visitar. Era mais "alinhado". E tinha uns agrados.
Pininha tinha alguma fonte de rendas, casa própria e morava sozinha. Poooode? Em 1950 e lá vai pedrada. Ás vezes vendia objetos de ouro, algum tipo de sociedade com Zé Pinho outra personagem da Rua dos Dezoito. E gostava de viajar. De caminhão. Na bulé ( boléia para os mais classicos). Ia prá Teixeira onde passava tempo, lá nos Poços aquelas terras que acho que foram dos Dantas, na Guarita, suvaco de serra, o lugar onde se escondia todo mundo que fazia alguma besteira na família: desde roubar uma moça até "dá uns furinhos num cabra". Ia também ( esta era a grande travessia!) a Campina Grande visitar primas e outros parentes. Subir a Serra da Borborema pro lado que fosse era viajão: prá Teixeira ou prá Campina. Essa, a grande viagem. João Pessoa não estava em cogitação. Era aventura em cinemascope colorido.
Pois Pininha me queria muito bem. Me achava inteligente . Tinham a mania de. Eu acho que era porque eu era conversadeira e inxirida. A melhor recordação que guardo dela era quando eu adoecia ( tinha amigdalites tratadas com Rodicilina injetavel) Pininha comprava guaraná e bolacha Maria. Todo minino pobre do sertão viveu esta experiencia. Se teve quem comprasse. Eu tinha Pininha. E adoecer, quando ela não estava viajando, era a glória, a felicidade.
Pininha era "a coragem de ser diferente"; moça velha sem viver agarrada com um Adoremus e rezando pelos cantos de paredes e igrejas. Tinha brilho próprio. Falava naquele tom mais "grave" e meio assustado que é próprio dos da Serra. Falam como se estivessem conspirando. Pronunciava o "errrrrre" como perfeita espanhola ; isto tambem tipico da Serra. Como muitos termos de um "portugues medieval" ou um castelhano aportuguesado.
Tinha suas manias. Interessantes. Sua casa era toda pintada em azul. Tamboretes , armarios e outros itens da decoração. Panelas azúis e se não me engano, o urinol ou pinico também.
Pintava o cabelo sempre. Com umas tintas......
Mais velha ( 40 anos por certo) começou a perder cabelos e passou a usar peruca: a primeira que conheci e que acabei herdando. Perdi-a num carnaval, numa cachaça mal tomada. Acho que lá no Bar de Berta em João Pessoa. Além da peruca usava ouro na quantidade que podia. Herdei-lhe também uma medalha de folha de ouro que já passei prá Karlinha-minha-sobrinha.
Herdei-lhe acima de tudo o espirito um tanto aventureiro, a vocação e coragem prá viajar e fazer minha própria historia . Não herdei o hábito da peruca e há algum tempo "deserdei" o de pintar os cabelos. Tenho a lhe acima de tudo o estímulo que me deu com sua bondosa admiração. Com sua aposta em mim.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Olha só: estou com problemas com meu computador. este aipédi é ruim de digitar.Cheguei de Recife onde fui visitar minha Tia Maria Torres -irmã de meu pai. Ela esta com 87 anos e meio molinha. Conversei muito com ela. Quer dizer, contei-lhe muitas historias. De vez em quando parecia que ela acendia uma luzinha no olhar. Na volta parei em Jampa onde mora um grande pedaço do meu passado. Encontrei amigos e lembranças. Tou com umas coisas na fila prá blogar. Vai ser quando um computador adulto aparecer nesta casa. Vcs me esperam?
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Tia Judith
Esta foto torta ai é do casamento de Tia Judith Paca com Miguel Bento. Tia Judith tá viva e mora nos Poços, na Serra de Teixeira, lugar da familia de minha Mãe Ceição. Acho que as terras daquele lugar pertenceram aos Dantas, de João Dantas, jornalista cujo escritorio na cidade da Parahyba foi invadido em 1930 pelos "zomi" de Zé Americo e João Pessoa e depois deu no que deu. Inda tem Dantas na serra.
No meu tempo criança não merecia nenhuma consideração. Não era nem "criança". Era minino. E quando se metia nas conversas de gente grande se dizia "inxirido". Eu era. Muito.
Tive meus motivos de orgulho quando minina. Um deles era conhecer e ser conhecida por pessoas que eu achava muito importantes. Por exemplo, Bacalhau ou Afonso Bacalhau que tocava na Bande de Musica da cidade. Quando Bacalhau passava na Banda e me piscava o olho eu, certamente, "me achava" . Ele gostava muito da gente ( era casado com uma prima de minha mãe) e a amizade durou até ele morrer. Recentemente.
Outra figura importante era Doca, o marido de Tia Maria Paca. Ou Maria de Doca. Ele trabalhava com "delivery" de água. Vendia água numa carroça. E vinha lá em cima , sentado , parecia um principe. Tão poderoso. Tinha também Piribiu, aparentado, amigo da familia e que vendia leite num burro tão alto. Zé da Agua não tinha carroça . Era um jumento com dois "barris" de água. Naquele tempo no sertão se vendia água doce ( prá beber) e a água de consumo ( banho, roupas e limpeza da casa). Seria água barrenta?
Mas a "glória" a alegria grande era ir ao mercado. Quando vinha do Rio e São Paulo onde morava, prá rever a familia no sertão , o mercado era lugar obrigatorio. Ali estava a maior concentração de parentes da cidade. Divertidos, amorosos, e "importantes". Tia Judith e Miguel Bento vendiam cereais. Ficavam os sacos espalhados (organizadamente) pelo chão e eles ora em pé, ora sentados num tamborete. Tia Judith fazia contas de cabeça. As Pacas são demais. Tambem tiveram uma bodega mas eu não me lembro.
Tio Miguel Paca era sapateiro e tinha uma barraca do lado dos "meninos de Maria de Tio Mateuzinho". Tinha a barraca das meninas de Tia Lourdes prima de minha mãe e que era de sobrenome Giróime. Vendiam variedades de coisas tipo bazar. Bastião Paca vendia redes e depois objetos de couro: selas, arreios, paramentos de vaqueiros e mil outras coisas. O cheiro da barraca de Sebastião não dá prá esquecer.
Seu Zé Mariano, vizinho da Rua do Dezoito vendia jóias e óculos. Uma vez fui com Amundsen Limeira, jornalista com quem varei muitas estradas, ao mercado e fizemos uma visita obrigatória a Zé Mariano. Amundsen se engraçou com uns óculos escuros que lembravam os de John Lennon e ficou só experimentando e se achando bonito. Zé Mariano me chamou num canto, pegou no meu braço e preocupado, sussurou no meu ouvido: " mas este daí é baitola?" minina . Inda tou rindo. E gostando do "minina".
O mercado, ai meu Deus!! Tinha o café de Dona Antonia, mãe de minha amiga, colega da Radio Espinharas, minha irmã adorada Maria Lucena. Tudo era bom lá em Dona Antonia. Principalmente o chamego que ela tinha comigo. E tem. Tá com muitos anos de vida. Quantos , Cena? Vamos tomar um café lá em sua mãe querida!!!!
Outra visita obrigatoria, esta já depois de grande e radialista ( comecei na Radio com 13 anos!!) era a lojinha de meu padrin e minha madrinha: Batista Leitão e Francisca. Vendiam enxovais de casamento e batismo, roupas intimas, a maior chiqueza. Batista anunciava num programa que tinha na rádio. O produto que eu gostava mais era "touca prá minino de duas cabeças" - sutiã e corpete . Eram meus padrinhos de mentira e eu os adorava. Afilhadice da maior seriedade.
Eu era feliz e sabia.
No meu tempo criança não merecia nenhuma consideração. Não era nem "criança". Era minino. E quando se metia nas conversas de gente grande se dizia "inxirido". Eu era. Muito.
Tive meus motivos de orgulho quando minina. Um deles era conhecer e ser conhecida por pessoas que eu achava muito importantes. Por exemplo, Bacalhau ou Afonso Bacalhau que tocava na Bande de Musica da cidade. Quando Bacalhau passava na Banda e me piscava o olho eu, certamente, "me achava" . Ele gostava muito da gente ( era casado com uma prima de minha mãe) e a amizade durou até ele morrer. Recentemente.
Outra figura importante era Doca, o marido de Tia Maria Paca. Ou Maria de Doca. Ele trabalhava com "delivery" de água. Vendia água numa carroça. E vinha lá em cima , sentado , parecia um principe. Tão poderoso. Tinha também Piribiu, aparentado, amigo da familia e que vendia leite num burro tão alto. Zé da Agua não tinha carroça . Era um jumento com dois "barris" de água. Naquele tempo no sertão se vendia água doce ( prá beber) e a água de consumo ( banho, roupas e limpeza da casa). Seria água barrenta?
Mas a "glória" a alegria grande era ir ao mercado. Quando vinha do Rio e São Paulo onde morava, prá rever a familia no sertão , o mercado era lugar obrigatorio. Ali estava a maior concentração de parentes da cidade. Divertidos, amorosos, e "importantes". Tia Judith e Miguel Bento vendiam cereais. Ficavam os sacos espalhados (organizadamente) pelo chão e eles ora em pé, ora sentados num tamborete. Tia Judith fazia contas de cabeça. As Pacas são demais. Tambem tiveram uma bodega mas eu não me lembro.
Tio Miguel Paca era sapateiro e tinha uma barraca do lado dos "meninos de Maria de Tio Mateuzinho". Tinha a barraca das meninas de Tia Lourdes prima de minha mãe e que era de sobrenome Giróime. Vendiam variedades de coisas tipo bazar. Bastião Paca vendia redes e depois objetos de couro: selas, arreios, paramentos de vaqueiros e mil outras coisas. O cheiro da barraca de Sebastião não dá prá esquecer.
Seu Zé Mariano, vizinho da Rua do Dezoito vendia jóias e óculos. Uma vez fui com Amundsen Limeira, jornalista com quem varei muitas estradas, ao mercado e fizemos uma visita obrigatória a Zé Mariano. Amundsen se engraçou com uns óculos escuros que lembravam os de John Lennon e ficou só experimentando e se achando bonito. Zé Mariano me chamou num canto, pegou no meu braço e preocupado, sussurou no meu ouvido: " mas este daí é baitola?" minina . Inda tou rindo. E gostando do "minina".
O mercado, ai meu Deus!! Tinha o café de Dona Antonia, mãe de minha amiga, colega da Radio Espinharas, minha irmã adorada Maria Lucena. Tudo era bom lá em Dona Antonia. Principalmente o chamego que ela tinha comigo. E tem. Tá com muitos anos de vida. Quantos , Cena? Vamos tomar um café lá em sua mãe querida!!!!
Outra visita obrigatoria, esta já depois de grande e radialista ( comecei na Radio com 13 anos!!) era a lojinha de meu padrin e minha madrinha: Batista Leitão e Francisca. Vendiam enxovais de casamento e batismo, roupas intimas, a maior chiqueza. Batista anunciava num programa que tinha na rádio. O produto que eu gostava mais era "touca prá minino de duas cabeças" - sutiã e corpete . Eram meus padrinhos de mentira e eu os adorava. Afilhadice da maior seriedade.
Eu era feliz e sabia.
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