domingo, 17 de abril de 2011

Juazeiro

Este caminho na foto fica ao lado da casa que foi do meu avô, na Quixaba Velha. Casa em que minha mãe nasceu. Por este caminho ela e irmãos iam prá Escola. Na sombra deste juazeiro paravam e claro, catavam juá. Com a casca do juazeiro se escovavam os dentes que ficavam branquinhos, branquinhos.Quem estava dirigindo o carro no dia desta foto era Antonio Rocha pai de Karla e Italo meus sobrinhos. A mãe deles , Leda-minha-irmã, estava dentro do carro também. 
Minha mãe já tinha morrido e fizemos uma viagem ao passado tão presente.


Minha mãe depois de crescidinha foi professora na Quixaba. Tia Maria Paca  também foi professora; tinha um amigo da familia de nome ___________ Nascimento ( o nome todo, Zaga???!!! ) todo cioso de fazer justiça que quando comentavam que algum de nós era inteligente logo logo remendava: "inteligente era Constantina! Uma grande professora. Desarnou tudo quanto era menino da Quixaba daquele tempo".


Nada sei do começo do namoro de dona Constantiona de Pedro Paca com Antonio Torres meu pai. Sei que noivaram por 8 anos. Meu avô não fazia muita fé no candidato a genro porque meu pai não era chegado na agricultura e era meio adoentado. E pobre também, claro embora este não fosse valor muito importante. Todos eram. Mas seu Antonio era meio fraco pros padrões da época e lugar.

O casal era meio que "intelectualizado". Os dois gostavam muito de ler. E sempre. 
Minha mãe lia de fotonovela ( Capricho, Sétimo Céu e Grande Hotel ) a Dostoievsky. Ambos liam , sempre, a Revista O Cruzeiro. Antes do casamento, bom , não me lembro e não me contaram.


Um dia casaram e foram morar no Dezoito. Assim era e é conhecida a Rua dos 18 do Forte em Patos, Parahyba, Brasil. Primeiro moraram em uma casa pertinho do rio. Porque a rua nascia ou morria na beira do rio. Era o meu glorioso Espinharas. Murchinho quando não chovia. Mas quando vinha com água era um gigante.

Pois meus pais depois mudaram pro numero 155 do Dezoito onde ficaram até 1958. Nascemos todos lá inclusive Bento que era filho de tia Etelvina mas foi filho também de minha mãe e de Tia Lourdes - um tanto sortudo. Hoje é meu irmão embora seja um Bilu verdadeiro. Bilu é o nome da familia de seu pai.

Meu pai trabalhava com os compadres. Primeiro com Zé João, padrinho de Leda,  vendendo frutas.Se era numa fruteira, era vendendo frutas eu imagino.  Depois com meu padrinho, João Cosme de Brito, na Chave de Ouro. Passava jogo de bicho que foi legalizado na Parahyba por João Agripino, ultimo governador eleito antes do Golpe que nos levou à Ditadura Militar em 64. 

Lembro que ( em 58??) José Américo de Almeida ( toc toc na madeira,  manda a tradição) foi candidato ao Senado pela UDN  e meu pai  votava nele. Minha mãe , não. Porque Zé Américo tinha, no passado, fechado o jogo de bicho e meu pai ficara desempregado. Ele "esqueceu". Ela não. Mas não votou escondido prá não afrontar ; ela era assim. Cuidadosa mas de opinião. 

Ser mulher de opinião  não era raro entre as paraibanas. E não me venham com aquela historia de mulher macho. Luiz Gonzaga, tentando fazer as pazes com as paraibanas, quando podia explicava que era o Estado da Parahyba que , mesmo tendo nome feminino, era macho, sim senhor.


E eu não mudo de opinião.







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